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20 de Outubro de 2020

Algumas dicas para os concurseiros: perguntas frequentes

Do livro "Vida de Concurseiro", editora GZ

Diego Pereira Machado, Tabelião de Notas
Publicado por Diego Pereira Machado
há 6 anos

Preciso fazer cursinho?

A resposta é positiva, eis que hoje em dia a concorrência está cada vez mais acirrada, sobretudo pela expansão dos cursinhos preparatórios para concurso em quase todos os médios e grandes municípios do Brasil.

A facilidade de ter um cursinho de alto nível perto de sua casa e a dificuldade que vêm enfrentando os advogados no mercado de trabalho tornam imperiosa a opção por procurar ingressar numa carreira pública.

A opção de ingressar numa carreira pública, seja na Magistratura, Ministério Público, Procuradorias, Defensorias, dentre outras, é quase uma opção de vida.

A partir desta escolha, sua vida terá que mudar por completo, senão, conforme notará no decorrer da leitura, não obterá êxito.

Os cursinhos preparatórios têm em seu corpo docente profissionais altamente capacitados para dar aulas voltadas para concurso público. Eles analisam todas as provas de concurso sobre a matéria que lecionam, fazem apontamentos e traçam seus planos de aula.

Exige-se do professor de cursinho que esteja “antenado” em todas as principais provas de concurso, para que saiba como ministrar suas aulas e propor leituras aos alunos. Isso tudo certamente ajuda a encurtar o tempo de preparação do aluno.

O cursinho trará ao conhecimento do aluno, de forma simples e rápida, as últimas e principais decisões dos Tribunais e seus comentários, a melhor doutrina para estudo, macetes, treinos para prova, dentre outros.

Assim, salvo se por falta de dinheiro, não faz sentido deixar de fazer cursinho preparatório.

Até mesmo as dificuldades financeiras não podem ser muralhas intransponíveis para se alcançar objetivos; há - embora ainda não tão atrativas - formas de se obter recursos para pagar os custos de um cursinho, sem falar nos concursos de bolsas que alguns oportunizam. Quando um sonho é tão desejado, os obstáculos se tornam motivadores.

A maioria dos candidatos faz cursinho, razão pela qual terão mais facilidade que aqueles que não o fazem.

Pense no seguinte: quando você está caminhando por uma estrada desconhecida e que sabe estar cheia de obstáculos e desvios que farão você se perder, prefere se arriscar sozinho ou com um guia?

Nós, particularmente, preferimos caminhar por esta estrada com a ajuda de um guia, pois, caso contrário, poderemos nos perder, cair, machucar-nos etc.

Como a estrada dos concursos não é diferente, vamos trazer o exemplo citado em analogia.

Você, necessariamente, terá que percorrer um longo e desconhecido caminho para poder chegar onde pretende: passar num concurso público. Este caminho é cheio de obstáculos, desvios que vão atrasar sua vida, tempestades e animais esperando para te dar o bote.

Os professores dos cursinhos estarão sempre dispostos a te auxiliar neste caminho, caminhando ao seu lado. Você não estará sozinho!

Esses profissionais - que já passaram pelo caminho que você pretende seguir ou que são mestres na melhor forma de percorrê-lo - não deixarão que você se perca ou demore muito para passar no concurso, informando sobre os obstáculos que poderão surgir e lhe dando as armas para detonar na hora da prova.

Dessa forma, é mais fácil passar em concurso quando auxiliado por um cursinho de ponta. Não pense duas vezes, procure um cursinho!

Qual o melhor cursinho?

Recomendamos a você que assista a alguns dias de aula em todos os cursinhos mais famosos. Você não pagará nada por isso.

Se assim fizer, descobrirá qual deles adota o método de aula de sua preferência; atentará para a grade de aulas, os professores que as ministram etc.

Mas cuidado com sua mente: ela sempre procurará levá-lo à chamada “zona de conforto” (aquilo que é mais confortável), conforme ensinamentos de T. Harv Eker (2006, p. 158). Assim, ela tentará enganá-lo, levando a crer que o cursinho de sua preferência é aquele que tem menos aulas, que não tem aula aos sábados, onde estão os amigos ou ex-colegas de faculdade estudando, onde estão pessoas mais interessantes etc. Muito cuidado com isso! Passar em concurso não é coisa fácil e, certamente, seu caminho não será assim.

Nós somos seres humanos, não se esqueça disso. Nossa natureza nos faz procurar sempre o que é mais cômodo e fácil. Não gostamos de dificuldade.

A partir do momento em que você pretende iniciar esta caminhada, deverá deixar de lado a infantilidade e passar a agir com mais maturidade. São poucas as pessoas que chegam ao final deste caminho, ou seja, que são aprovadas em um bom concurso público; isto se deve à dedicação, estudo com qualidade etc.

Aproveitando o gancho, importante citar parte do livro Maktub, de Paulo Coelho, que ilustra bem o que estamos dizendo:

A vida é uma grande corrida de bicicleta – cuja meta é cumprir a Lenda Pessoal. Na largada, estamos juntos – compartindo camaradagem e entusiasmo. Mas, à medida que a corrida se desenvolve, a alegria inicial cede lugar aos verdadeiros desafios: o cansaço, a monotonia, as dúvidas quanto à própria capacidade. Reparamos que alguns amigos desistiram do desafio – ainda estão correndo, mas apenas porque não podem parar no meio da estrada. Eles são numerosos, pedalam ao lado do carro de apoio, conversam entre si, e cumprem uma obrigação. Terminamos por nos distanciar deles; e então somos obrigados a enfrentar a solidão, as surpresas com as curvas desconhecidas, os problemas com a bicicleta. Perguntamo-nos se vale a pena tanto esforço. Sim, vale. É só não desistir. (1994, p. 102).

Para passar em concurso, tudo tem que ser perfeito e afinado com nosso propósito, nem que para isso tenhamos que mudar alguns de nossos hábitos.

Sempre que pensamos em mudar hábitos, logo vem à nossa mente: “que preguiça”, “nunca me prejudiquei com meus hábitos”, “sempre fiz tudo certo” etc.

Essas são técnicas da nossa mente nos levar à “zona de conforto”, como já dissemos.

Aprenda desde já o seguinte: no estudo para concurso, quase que diariamente teremos que aniquilar nossa mente. Ela sempre tentará nos dizer: “vá dormir que é melhor”, “saia com os amigos”, “vá beber todas porque você merece” etc.

Quase nunca sua mente irá dizer: “que dia lindo para estudar 7 (sete) horas e ir ao cursinho à noite”, “como é gostoso trocar as festas por longas horas de leitura”, “vale a pena acordar domingo bem cedo e assistir a uma boa aula de Direito Econômico”.

Quer saber uma técnica para superar isso? Lá vai: sempre que sua mente vier com esse tipo de pensamento desanimador ou que prejudicará o alcance de sua meta, diga o seguinte a ela: “obrigado pela informação, mas dispenso”. Como um computador!

Veja, neste ponto, o que diz Harv Eker:

Quando surgir na sua cabeça um pensamento prejudicial, diga “Cancela” e “Obrigado pela informação”. Em seguida, substitua-o por um modo de pensar mais favorável. Eu chamo este processo de pensamento poderoso. Guarde as minhas palavras: se você o praticar, a sua vida jamais voltará a ser a mesma. É uma promessa. (2006, p. 162).

Pois bem. Para que você não erre na escolha do cursinho, seguem algumas dicas que devem ser levadas em consideração (pontos que reputamos imprescindíveis para alcançar o sucesso):

a) professores altamente capacitados, especialistas nas matérias que lecionam e estudiosos de provas de concurso público;

b) ter um responsável que dedique sua vida a esta empreitada;

c) contar com vários instrumentos de aprendizado à disposição, tais como: 1) aula de resolução de questões de prova; 2) área com diversos artigos publicados sobre assuntos “quentes” para concurso; 3) material de apoio às aulas; 4) aulas complementares aos sábados e domingos; 5) plantões de dúvida; 6) semanas jurídicas gratuitas etc.

Além de tudo que foi falado, importante que você escolha um cursinho bem moderno e atualizado com as novas tendências. Isso por que há alguns cursinhos que praticamente lecionam somente o que entende a doutrina e jurisprudência clássica. Quando citam a doutrina moderna, logo convencem seus alunos da veracidade dos ensinamentos da primeira.

Nos concursos que vemos pelo Brasil, vêm se exigindo, em primeira, segunda e terceira fases, que o candidato sustente posições modernas, como, por exemplo, a teoria da imputação objetiva de Roxin, a teoria da tipicidade conglobante de Zaffaroni, as novas técnicas de hermenêutica constitucional, a nova visão para o controle de constitucionalidade, sobretudo a abstrativização do controle difuso, dentre outras. Isso você só encontrará nos cursinhos mais modernos.

Todos que estudam para concurso acabam passando?

Certamente a resposta é positiva e a explicação é bem simples: imagine uma fila qualquer, por hipótese, a de um de banco; aqueles que estão a sua frente serão atendidos prioritariamente (estes são os candidatos mais preparados), dando espaço para os que estão atrás (você, caso ainda não esteja bem preparado); se você dormir na fila, passarão na sua frente; do contrário, se estiver sempre atento e diligente (estudando religiosamente), logo chegará a sua vez.

Noutras palavras, cada dia de esforço e dedicação redunda num novo e importante passo a caminho do seu objetivo. E, como não poderia deixar de ser, aqueles que desistem ou que pouco se esforçam, deixando os estudos em segundo plano, ficam pelo caminho, frustrando suas expectativas, cedendo lugar aos mais dedicados e aplicados.

Pense neste exemplo e saiba que é a mais pura verdade!

21 Comentários

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Dr. Diego,

Concordo em partes com o seu artigo. Estudo religiosamente há três anos para a Magistratura (estou completando o período de prática) e já fiz um ano de "cursinho preparatório". O que eu digo hoje aos meus conhecidos? Não façam!

Digo isso porque, se você fez uma boa faculdade, foi um aluno dedicado e sabe o que quer da vida profissionalmente, o segredo é dedicar-se com bons materiais (livros e jurisprudência). Lógico que isso depende de cada um, mas escutar um professor levar três ou quatro aulas para explicar, por exemplo, o procedimento ordinário do CPC chega a ser absurdo - e apenas comprova ser uma "perda de tempo" - considerando que eu três horas é possível ler o mesmo conteúdo em excelentes obras...

Óbvio que informação e estudo nunca são demais, mas há meios de otimizar o tempo e o estudo. Como? Sentado e estudando, com um bom material, um computador e com silêncio, num lugar confortável e que você tenha concentração. Obviamente, também, que tudo dependerá da dedicação e disciplina do candidato.

Cursinho, hoje, só se for para uma segunda fase prática ou para uma matéria específica que possua pouco material disponível ou de pouca difusão, como Direito Agrário.

Mas cada um é cada um. Conheço gente que fez três anos de cursinho, ouvindo as mesmas piadas dos professores por todo esse tempo e foi aprovado. Conheço gente, também, que nunca pisou num cursinho e também foi aprovado. Conheço gente que estudou por informativos dos tribunais e sinopses e foi aprovado, assim como gente que estudou as maiores obras disponíveis e também foi aprovado.

Agora, s.m.j, dizer que fazer cursinho é "fundamental" porque a concorrência está alta é balela. É sabido que em concursos de grandes carreiras, como MP/Magistratura/Procuradorias, o candidato praticamente concorre consigo mesmo - tanto o é que, muitas vezes, aprovam-se menos candidatos do que a oferta de vagas. Por que? Por falta de capacidade ou por que não fizeram cursinho? Aposto todas as minhas fichas na primeira hipótese... continuar lendo

Concordo com você, Klaus Costa. Cursinho é um norte. O que determina ou não a aprovação é um bom planejamento para esgotar a revisão do edital, muita disciplina e estudar ''até sair sangue dos olhos"'.

Abraços. continuar lendo

Concordo, Viviane Sad. O "cursinho" pode ser um norte a quem não tem a menor ideia de como começar a estudar ou fez uma faculdade "nas coxas".

Fazer um cursinho, que custa mais de R$ 10 mil por ano é, atualmente, uma das maiores enganações (com todo o respeito a quem faz/fez, assim como eu já fiz) a quem quer estudar a fundo para concursos jurídicos. Teorias e assuntos profundos, como o autor desse artigo mencionou, são vistos "por cima" em cursos preparatórios (quando o são). Ou vai me dizer que numa aula de 50 minutos o professor irá explicar as diferenças entre a imputação objetiva de Roxin e de Jakobs!? Não vai! Ele dará um breve conceito e histórico, mas só... Num livro de R$ 90,00 você consegue estudar a fundo toda a Teoria Geral do Direito Penal - e há infinitas obras e para todos os gostos e bolsos!

Aí o aluno para essa dinheirama para o curso e, chegando em casa, abre os livros para estudar o mesmo tema, pois o professor não teve tempo suficiente de tratar totalmente sobre o assunto. Qual é a lógica nisso!? Estudar superficialmente um tema com um professor falando num microfone e chegar em casa e aprofundar o mesmo tema, agora estudando-o por completo...

E há infinitos métodos para se estudar sozinho, como fazendo resumos dos livros, fazendo fichas, resolvendo questões etc. Enfim, sou um grande defensor (como se percebe) do método de estudar sozinho.

Abraços! continuar lendo

Boa tarde!

Já fiz vários concursos, inclusive fiz cursinho uma vez. Em todos esses não tive bom desempenho. Fui apurar o motivo e percebi que o problema não se trata, unicamente, de fazer ou não um bom cursinho.
No meu caso, importa, principalmente estudar, sozinho mesmo! Cursinho não aprova as pessoas, é apenas um direcionamento para quem está precisando. Desisti de continuar fazendo cursinho por não ter termo para estudar o que vi em sala depois. O que via na sala era o básico (o tal direcionamento), e resto deveria ser comigo.

Portanto, minha conclusão, se eu tivesse mais tempo diário disponível faria um cursinho. Como não é meu caso e já sei mais ou menos por onde ir, é só estudar.

O artigo é um convite a estudar, e não um investimento em um cursinho com garantia de aprovação. No geral, muito bom o despertamento.

Parabéns pela escrita.

Abraço, Leví Cardozo. continuar lendo

Dicas preciosas dr. Diego! Obg! continuar lendo

Sempre à disposição! continuar lendo

Bom texto. Discordo no entanto, quanto à afirmação que cursinho é obrigatório. Fiz vários e é tudo igual. Dois ou três professores são bons, o restante bem mais ou menos. continuar lendo