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16 de Janeiro de 2017

Novas dicas para os concurseiros-guerreiros!

Do livro da GZ Editora, com o título "Vida de Concurseiro"

Diego Pereira Machado, Advogado
Publicado por Diego Pereira Machado
há 2 anos

- Será que vou “penar” muito, pois só agora “acordei para a vida” e resolvi estudar?

Aqui podemos ter o exemplo daquele aluno que não estudou nada durante a faculdade e que só depois de formado resolveu estudar; bem como daquela pessoa que se formou há um bom tempo, não conseguiu colher bons frutos na advocacia e agora pretende estudar para concurso.

Saiba de uma coisa: nunca é tarde para começar a estudar. Conhecemos vários exemplos marcantes de pessoas que advogavam e resolveram, lá com seus 40 ou 50 anos, estudar para concurso. Com muita dedicação e força de vontade, passaram nos concursos almejados e hoje são muito felizes.

Tivemos uma ilustre professora (Flávia Cristina Moura de Andrade) que fez faculdade de Marketing e, aos seus 35 anos, resolveu fazer Direito. Terminou a faculdade quando tinha 40 anos, passou no exame da OAB, e hoje, com muito esforço e dedicação, é Procuradora Federal e uma excelente professora.

Para aquele aluno que nunca estudou durante a faculdade, passando nas provas “colando” ou com a ajuda do professor, dizemos a mesma coisa: você, com muito apego e desde que mude seus hábitos, passará no concurso dos seus sonhos.

Já dizia um professor da Faculdade de Direito e também promotor de justiça em Marília-SP (Gilson César Augusto da Silva): “estudar para concurso não é fácil. Nos primeiros seis meses você estará aprendendo a estudar. Nos outros, sabendo como estudar, tornará sua vida mais fácil”.

Este professor estava certo. A preparação para concursos é bem diferente do estudo, por exemplo, para passar na prova de Direito Civil da faculdade; a primeira é bem mais maçante e, sobretudo, técnica.

Existe uma técnica para passar em concurso, e nós podemos aprendê-la tanto pela inteligência (como você, que está lendo este livro), como pelos erros (esta escolha será muito mais sofrida).

Nós conseguimos passar, de certa forma, muito rápido em concurso público (média de 1 ano após formados). Isso por que optamos pela técnica da inteligência.

Sempre procuramos escutar o que tinham a dizer aqueles que passavam em concurso; antevíamos os obstáculos, resolvendo provas em casa para já visualizar o que viria pela frente.

Para quem nunca se preocupou com isso, certamente estará buscando sozinho o caminho das pedras. Irá aprender a estudar com seus erros (isso se não desistir no meio do caminho).

Nossa mente (que quer nos manter sempre na “zona de conforto”) nos condiciona a pensar assim: “estou muito velho para passar em concurso”, “não vou conseguir pegar o ritmo de estudo”, “já me formei há muito tempo e isso me impede de alcançar o concurso dos sonhos” etc.

Esse é o chamado “pensamento prejudicial”. Quando surgir em sua cabeça este tipo de pensamento, diga “Cancela” e “Obrigado pela informação”. Em seguida, substitua-o por um modo de pensar mais favorável, tal como: “o fato de ser mais velho é benéfico, vez que tenho mais experiência e maturidade para encarar este desafio”; “embora tenha me formado há muito tempo, sou capaz de alcançar o concurso dos meus sonhos com facilidade, pois sou inteligente e forte”.

Vença seus pensamentos negativos, transformando-os em positivos! Acredite em você!

Concurso não tem segredo. Não é um bicho de sete cabeças! O primeiro adversário que você precisa vencer é sua mente.

- Em quanto tempo passarei no concurso se começar a estudar a partir de hoje?

Este é um questionamento que todos fazem. Todas as pessoas querem passar em concurso no tempo mais curto possível.

A média de tempo que se leva para passar num concurso público de alto nível, conforme já falamos, é de 3 (três) a 6 (seis) anos.

Esta média é obtida por meio do questionamento às pessoas que passaram em provas de concursos recentes.

É certo que antigamente era muito mais fácil, seja pela escassez de cursinhos preparatórios, seja pela baixa concorrência.

Não faz muito tempo que juízes, promotores e procuradores tinham uma remuneração mensal baixíssima. Há um bom tempo, abria-se concurso para juiz federal com remuneração de 4 (quatro) mil reais por mês. Hoje, o subsídio do mesmo é de quase 20 (vinte) mil reais mensais.

O fato da elevação da remuneração das carreiras jurídicas, somado à dificuldade que vem enfrentando a advocacia privada brasileira, levou muitos bacharéis em Direito a optar pelas carreiras públicas.

Percebendo este filão de mercado, foram abertos cursinhos preparatórios de ponta, que se espalharam por todo o Brasil por meio de franquias.

Com esta demanda, os bancos dos cursinhos se encheram, e a média “candidato por vaga” se elevou tanto a ponto de superar a concorrência de vestibulares famosos, como os de Medicina para ingresso em faculdade pública.

Por isso, o candidato que não tem uma boa técnica de estudo demorará anos para passar no exame. Conhecemos pessoas que estão há mais de 4 (quatro) anos estudando por mais de 8 (oito) horas diárias e não conseguem a aprovação, sequer, na primeira fase.

O erro? A falta de técnica de estudo.

Estas pessoas se aventuram na leitura de vários livros, relegando-se à leitura da lei seca, súmulas etc. Não é pela falta de dedicação, empenho e organização que os resultados são negativos, mas sim pela falta de técnica.

Nós passamos em alguns concursos de extrema exigência em menos de ano e meio; fazíamos cursinho como todos fazem e sempre estudamos, em média, de quatro a seis horas diárias. O diferencial? Entendemos que fora a técnica empregada.

Por isso, não desconsidere o que estamos tentando transmitir, vez que não foge em nenhum milímetro da técnica empregada por nós.

Faça deste pequeno livreto o mapa do seu destino!

Lembre-se: se você quer passar em concurso de forma bem simples, deve adotar uma técnica simples.

Note: resultados simples, como passar rápido em concurso, não requerem técnicas complexas, mas uma técnica igualmente simples.

Siga a lógica!

- Ajuda fazer pós-graduação junto com o cursinho? Não vai me atrapalhar?

Para um melhor aproveitamento da pós-graduação, esta deveria ser realizada em um momento da vida em que se tivesse tempo para refletir, conjecturar, enfim, dedicar-se por completo às pesquisas; não há dúvidas de que este momento não é o de preparação para concursos públicos.

Ocorre que a grande maioria dos concursos possui prova de títulos, na qual se considera, dentre outros quesitos, o título de pós-graduação.

Assim, levando-se em conta a crescente concorrência, o candidato deve munir-se de todas as armas colocadas à sua disposição, sob pena de perder para a concorrência.

Portanto, a realização de pós-graduação junto com o cursinho é imprescindível, devendo ser cursada com seriedade e dedicação, mas de maneira a não atrapalhar os estudos diuturnos.

- Devo direcionar meus estudos para passar em uma determinada carreira? Se eu estudar para passar no concurso que entendo mais difícil, estarei automaticamente estudando para os que entendo de menor dificuldade? O concurso da magistratura realmente é o mais difícil?

Aqui, estamos diante de uma falácia jurídica, uma lenda urbana do mundo do Direito.

Os concursos atuais são absolutamente específicos, chegando à minúcia de avaliarem a aptidão do candidato para o cargo almejado.

Não tem mais “lugar ao sol” aquele candidato que estuda e presta todos os concursos indistintamente, sem uma preparação minudenciada que se ajuste a um edital em específico.

Mas atente: ainda que tenha que fazer um estudo específico, é necessário que siga todas as aulas dadas no cursinho e estude as respectivas matérias. No entanto, meses antes do concurso pretendido, foque seus estudos nas especificidades do edital.

Apenas para ilustrar, a preparação para um concurso de Procuradoria Estadual é completamente distinta da preparação para um concurso de Procuradoria Federal. As áreas de enfoque são absolutamente dispares, sendo salutar que o certame traga matérias alusivas às atribuições do cargo.

Ademais, não há que se considerar o concurso de juiz o maior e mais difícil, aquele que só deve ser prestado após ter passado em outros, teoricamente, menos difíceis. Este concurso é difícil como qualquer outro.

Igualmente, outros concursos existem, e são tão ou mais difíceis, face à especificidade; estes não se contentam com o conhecimento exigido nas provas para juiz, requisitando conhecimentos ainda mais particulares. Um exemplo emblemático é o concurso para a Procuradoria da República.

Assim, para se ingressar em uma carreira da magistratura, ou em qualquer outra, há que se fazer um estudo dirigido, baseado no edital e nas provas anteriores, de sorte a se incorporar o que se denomina “estilo da prova”. Só assim sairá da derrota e será conduzido à vitória!

Vale notar que todos os concursos exigem o conhecimento das matérias básicas, quais sejam, Direito Civil, Processo Civil, Direito Penal, Processo Penal, Direito Constitucional e Direito Administrativo. Quem estuda com afinco estas seis matérias básicas certamente atinge o mínimo exigido em qualquer prova.

Dessa forma, vale repetir: cada concurso tem suas peculiaridades. O concurso, por exemplo, de Procurador da Fazenda Nacional exige um conhecimento mais abrangente de Direito Tributário do que o concurso para Defensor Público. De outro lado, e na mesma linha de raciocínio, o concurso para Defensor Público exige um conhecimento mais abrangente de Direitos Difusos e Coletivos que o concurso de Procurador da Fazenda Nacional.

Por isso, muita atenção às matérias básicas e não se esqueça de avançar no estudo das especificidades do concurso almejado.

Doutorando em Direito (Coimbra - Portugal). Especialista em Direito Processual Penal e Civil (UPF - RS). Mestre em Direito (Unitoledo - SP). Pós-graduando em Direito Notarial e Registral. Professor e palestrante exclusivo da Rede de Ensino LFG (SP). Participante do Cambridge Law Studio. Professor do programa Prova Final da TV Justiça, Saber Direito e Sem Fronteiras. Conferencista. Procurador Federal (AGU). Membro da SBDI. Membro Conselho Nacional da ABDI.
Disponível em: http://diegomachado2.jusbrasil.com.br/artigos/145365957/novas-dicas-para-os-concurseiros-guerreiros

6 Comentários

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Com os concursos públicos, havia a esperança de uma melhora significativa na qualidade dos serviços prestados. Pessoalmente, não notei diferenças na qualidade do serviço público municipal, estadual ou federal. Alguém tem uma percepção diferente? continuar lendo

Obrigado pelas dicas. continuar lendo